quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Os "Serial Killers" económicos.


A impunidade e falta de vergonha a que chegaram certos sectores da nossa sociedade é, no mínimo, chocante.
Antigamente qualquer pessoa que roubasse, desviasse ou se apropriasse daquilo que não lhe pertencia, era marginalizada e ninguém queria "contas" com ela.
São inúmeros os casos de falta de honestidade, em todos os cantos deste Portugal e em todos os domínios, desde o público ao privado.
Hoje a mediatização e, sobretudo, a leveza com que se abordam estas questões, torna as coisas muito mais simples e até, pasme-se, naturais. Mas o que mais me choca é ver e ouvir esses senhores sorrirem perante as câmaras de televisão, como se a façanha tivesse sido um exemplo de honradez.
Penso que chegamos ao limite da decência e também da paciência. É evidente que pouco ou nada podemos fazer. Esta total e descabida impotência para agir é ditada pela parva certeza de que algum dia se fará justiça. Mas não. Não contem com isso.
Faz doer, saber que certas pessoas adquiriram dinheiro, por meios ilícitos, que daria para matar a fome a muita gente. Que ainda gozam de fininho por esse facto. Que ficam impunes porque têm padrinhos poderosos, têm "berço", têm na massa do sangue a vontade de enganar os outros.
A estas pessoas eu chamo "serial killers", porque à semelhança dos outros "serial", também estes gozam com os crimes que praticam.
Que pena tenho eu de não poder fazer ouvir a minha voz. Ainda assim, quem de direito esteja atento aos senhores do poder, mas também a certos advogados, liquidatários, solicitadores, professores e empresários, que continuam a fazer de nós parvos!

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Falodecapitado (?)

O caso "Casa Pia" volta, de vez em quando, aos ecrans para notícias flash .

É sempre assim. Muito entusiasmo, muita discussão, muito ranger de dentes, algumas incongruências, pouca ou nenhuma certeza, muita ameaça, muita gente a dizer cobras e lagartos sobre o caso, os jornais a vender mais, as revistas (mesmo as "cor-de-rosa"), a sair com mais rapidez, a humanidade a queixar-se que assim vamos muito mal...
Para mais tarde se esquecer tudo e todos, voltando a vidinha à "serenidade" habitual.

Por isso também não choca que os acontecimentos mais marcantes da cena política, económica e social, acabem por esmorecer, depois de acesa controvérsia.

Porque somos um País de brandos costumes, nunca se aceitará a justiça bíblica, ou a de outros países, ditos atrasados, onde os crimes perpetrados têm sentença radical e imediata.
Para certos crimes, especialmente os que envolvem crianças indefesas, eu defendo uma condenação exemplar. Nos de carácter sexual, por hediondos, nojentos e desumanos, se fosse eu a fazer justiça, o criminoso seria decapitado. Claro que não era a cabeça que rolaria, mas sim o seu precioso pénis. Uma falodecapitação à boa maneira de Fafe!
Serviria concerteza de exemplo para os demais amigos de Sodoma e Gomorra.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Morte



Hoje estou particularmente triste: uma amiga de longa data faleceu. Completava hoje 58 anos de vida. Quiz o destino que a morte a visitasse no dia do aniversário do seu nascimento.
A morte sempre nos surpreende, mesmo quando estamos, aparentemente, a contar com ela.
Um dia vi um filme com um argumento interessante: a morte era representada por um lindíssimo jovem que, quando se preparava para roubar a vida de uma jovem, também lindíssima, apaixonou-se por ela. A paixão, como todas as paixões terrenas, era avassaladora e os dois jovens viveram enfeitiçados um pelo outro longo tempo. A morte desapareceu e os governos dos diversos países começaram a questionar a razão de tão inusitado acontecimento. Enquanto durou o namoro dos jovens ninguém morreu.
Mesmo as pessoas de avançada idade permaneciam vivas e de boa saúde. Todos os jornais e televisões noticiavam o facto. Mas ninguém percebia o que se estava a passar.
Até que um dia, os jovens descobrem que aquilo que estavam a viver era um sonho e que a realidade era bem diferente. Uma tinha que matar, outra tinha que morrer, mesmo que se amassem loucamente.
Os jovens voltam ao ponto de partida e, enquanto a jovem se afoga num enorme lago, a morte abraça-a e envolve-a carinhosamente junto do seu peito.
Pensei na altura que não me importaria morrer, se aquela fosse realmente a verdadeira face da morte. Quem sabe? É uma incógnita e, provavelmente nunca o saberemos, da mesma forma que esquecemos a hora do nosso nascimento e as dores que vivemos no momento do parto.
A vida e a morte são sinónimos. Uma depende da outra e as duas são inevitáveis.
Quando visitei pela última vez o corpo da minha amiga, não deixei de me deparar com um rosto pálido, mas sereno, com um corpo que esteve doente, mas no momento parecia saudável, que parecia descansar depois de uma longa jornada.
Estou triste, mas ao mesmo tempo expectante: como será que vou morrer?
Descansa em Paz, Laurinha.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Saramago: pasta dentrífica

Há muitos anos atrás, o único canal de TV, que entrava nas casas das famílias portuguesas
ainda a preto e branco, exibia um trecho publicitário muito interessante: um atleta de fatinho, pegava pelo espaldar de uma cadeira com os seus alvos dentinhos e fazia-a rodopiar como se fosse de cartão. Depois de alguns segundos de exibição, já com a cadeira no chão, a publicidade anunciava: "Palavras para quê? É um artista português" e lá aparecia a responsável por tão bons e saudáveis dentes: a pasta dentífrica Couto!
Hoje já não se fazem destas habilidades. Mas que conseguia impressionar, lá isso conseguia. São uns exagerados estes publicitários!!
Vem a propósito uma carta que recebi por e-mail sobre um publicitário que tem também uns dentes fortíssimos e uma boca muito feia, especialmente quando fala do que não sabe!
O "Zé" Saramago é mesmo um artista na área da publicidade. Só com esta poderia vender a sua última "obra" literária. O que é ser publicitário da própria literatura?
Aqui vai, sem complexos nem preconceitos a deliciosa carta que recebi:

CARTA DO CANADÁ
Fernnanda Leitão
SEM COMPLEXOS NEM PRECONCEITOS
Seguramente, foi em 1959 que assentei arraiais na Brasileira do Chiado, no grupo pontificado por Tomaz de Figueiredo, Jorge Barradas, Abel Manta e Almada-Negreiros, onde fui dar pela mão de artistas plásticos cujo vasto atelier passou a ser, também, meu poiso habitual. Meu de muitas outras pessoas.
Em tardes de inverno, com a lareira acesa e tomando chá, por ali passava a dizer poemas Vasco Lima Couto e, a inundar o espaço com a sua voz inesquecível, Eunice Muñoz. Gente do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas, do jornalismo, das letras, ali conviviam com serenidade e gosto.
A escritora Isabel da Nóbrega começou a ser habitual e depressa se tornou uma amiga dos donos do atelier. Senhora de bom berço e fino trato, inteligente e culta, bem instalada na vida, caíu numa cilada do demónio. Apaixonou-se por um zé ninguém, nem sequer bonito, muito menos simpático e bem educado, que olhava tudo e todos de nariz empinado, numa pseudo-superioridade de quem tem contas a ajustar com a vida, quezilento e muito chato. Falava como um pregador de feira e era intragável. Mas, em atenção à Isabel, lá íamos aturando o José Saramago.
Para mim, que sou péssima, foi ponto assente: aquele não a ia fazer limpa, era um depósito de ódio recalcado. Foi por isso que não me admirei nada quando o vi director do Diário de Notícias, a mando do Partido Comunista, onde, da noite para o dia, lançou ao desemprego 24 jornalistas, dos da velha escola, dos que escrevem com pontos e vírgulas, deixando-os, e às famílias, sem pão. Tambem não fiquei minimamente surpreendida quando soube que abandonou Isabel da Nóbrega, que tanto fez por ele, para alvoroçadamente casar com uma espanhola que foi freira e tem vastos conhecimentos no mundo da política e das letras. Para mim, estava tudo a condizer com a figura.
Cá de longe soube que publicava livros e vendia muito. Não me aqueceu nem arrefeceu, porque nunca li nada escrito por ele nem tenciono perder tempo com isso. Não me apetece, e está tudo dito. Nem o Nobel que lhe deram me impressionou, porque já vi o Nobel ser dado sem critério algumas vezes. Acho mesmo que o prémio está a ficar muito por baixo.
E agora, o homenzinho da Golegã a chamar nomes a Deus, a insultar a Bíblia nuns raciocínios primários de operário em roda de tasca. Dizem que o fez por golpe publicitário. Talvez. Acho que é capaz disso e de muito mais. No entanto, creio que, no meio do aranzel, apenas houve uma pessoa que lhe fez o diagnóstico certo: António Lobo Antunes, numa magistral entrevista dada à RTP, há dias, respondeu a Judite de Sousa, que o interrogava sobre as tiradas de Saramago, que essas vociferações contra Deus lhe tinham feito medo. E adiantou: “tenho medo de chegar à idade dele assim, sem senso crítico”. Está tudo dito. É mais um como há tantos anciãos de tino perdido em Portugal. É deixá-lo andar. A mim tanto se me dá.
Aqui fica mais uma achega. Ainda bem que não sou a única a rejeitar a mediocridade de certa publicidade!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Saramago: O rei vai nu!



Numa ida ao cinema, passei pela Almedina. É já um procedimento rotineiro. Vejo as novidades e passo uma vista de olhos pelas estantes. Entretanto, repasso mentalmente as últimas notícias dos jornais e comparo factos.
Na prateleira dos livros classificados como top-ficção, está o último de Saramago. Recordo as últimas polémicas e sorrio. Dou meia volta e verifico que na mesma prateleira vários autores abordam a mesma temática: religião católica. Então pergunto-me, sendo a maior parte dos escritores, sépticos em relação à matéria, porque tantos, em tão vasta colecção, se debruçam sobre o tema?
Relembro as "Confissões de um homem religioso", o "Código Davinci", "Santos e pecadores"; entre outros, porquê?
Quem lê estes livros? Os sépticos ou os religiosos? Verifico que a leitura deste tema pode ser feita por qualquer pessoa, mas há mais leitores quando o tema é polémico e o autor resolve inovar na arte de "moldar o ferro". Não li nem leio nenhum dos livros de Saramago. Não gosto da sua escrita e muito menos gosto da pessoa que ele é. Ninguém é perfeito!
Mas a minha curiosidade foi mais forte e peguei no livro. Abri numa página à sorte. Continuo a não gostar e a pensar que Saramago não sabe escrever. Também por curiosidade li a sua biografia. Homem simples de famílias pobres e camponesas que imigraram para a Capital com ele ainda pequeno. Serralheiro de profissão, poucos estudos, e muita ambição (subentende-se).
Pensei na nossa cultura e como de há uns anos a esta parte, alguns, ditos cultos, querem alterar a escrita do nosso português. As palavras se não existem no dicionário, basta que sejam inventadas ou mal proferidas pelos cultos, para poderem ser admitidas. A pontuação é um fetiche. As pausas da leitura (sempre tão importantes), desaparecem para dar lugar ao arbítrio do leitor e é neste ponto que a porca torce o rabo. Na minha maneira de interpretar este fenómeno só o explico pela necessidade da cultura portuguesa, em matéria de escrita , escolher apenas alguns (os cultos), na descoberta da melhor pontuação para a escrita. Ou seja, não basta saber escrever mal, é necessário que o leitor, lendo, tenha a cultura suficiente para pontuar essa escrita. É mais ou menos como moldar o ferro: queima-se o metal e depois com um pesado martelo molda-se o que se quer ver ou entender.
A questão passa mais ou menos pela história do "rei vai nu". O soberano (a), que por ser tão soberbo e vaidoso com a sua imagem (a cultura), procurou um alfaiate (Saramago), para que o "vestisse" com as mais bizarras e riquissimas roupas. Quando saiu à rua para as exibir, uma inocente criança disse que o rei ia nu. É que as tais roupas riquissimas que o rei levava sobre si, não existiam! O rei tinha sido burlado pelo alfaiate, homem que moldava tecidos e também a arte de enganar.
Nunca hei-de compreender como a vaidade humana faz monstros querendo parecer anjos!

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Alfredo da Costa versus aleitação em espécie



Há mais ou menos 39 anos nasceu, numa belíssima região francesa, uma menina filha de emigrantes.
O parto, que teve a intervenção do médico assistente da mãe e de uma parteira, correu muito bem.
Eram umas 2,45 da manhã do dia 10 de Novembro. Nessa mesma noite falecera o General De Gaulle.
A criança, que era o primeiro rebento do casal, veio ao Mundo miuda, tez rosada e cabelo farto, muito negro.
A mãe só a viu pelas 7 horas da manhã, quando uma das enfermeiras a conduziu ao quarto num pequeno e muito confortável bercinho. Vinha com os cabelos em pé e trazia as mãos cruzadas sobre o minúsculo peito, como se estivesse a rezar.
Vinha para o primeiro contacto físico, depois de algumas horas de jejum. A equipa médica procedia assim com todos os nascidos naquela clínica.
A criança não mostrava sinais de fome e quando chegou o médico foram dadas instruções à mãe. A primeira e principal era que devia amamentar a sua filha, porque isso impedia-a de contrair viroses e ficava muito mais protegida.
O médico ficou um tanto surpreendido quando a jovem mãe lhe disse que queria amamentar a sua filha pelo tempo que ela quisesse e fosse mais conveniente.
Talvez pouco convencido, o médico insistiu apelando à comodidade da amamentação materna e, sobretudo, à ajuda económica que era dada pelo estado francês.
Ajuda? Mas no meu País a ajuda que se recebe do Estado é quando a criança é alimentada em espécie, ou seja, com leites comprados nas farmácias e que os médicos recomendam! - soltou a mãe um pouco incrédula.
O médico e enfermeira entreolharam-se, mas nada comentaram. Comentários para quê??



Hoje, volvidos todos estes anos, reparo na notícia de um dos jornais diários da TV. Incrível, o nosso País anda mesmo atrasado!! Ainda assim, é de louvar a iniciativa, educando as jovens mães a amamentar. As razões são muitas e todas elas de considerar:
1. A amamentação preserva a criança;
2. Cria imunidade e resistência em determinadas doenças;
3. Favorece o elo sentimental entre mãe e filho;
4. Evita a formação de doenças cancerígenas na mulher;
5. Evita o envelhecimento dos seios e a sua flacidez;
6. Torna inquebráveis os laços de amor.

Há quarenta anos esta medida de encorajar as jovens mães a amamentarem os seus filhos com leite materno era, naquele País aqui tão perto, uma realidade e, curiosamente, essa disponibilidade tinha uma recompensa económica, que aliás era justa, porque uma mãe que amamenta precisa de se alimentar convenientemente.
Aqui, neste País, a opinião estava totalmente invertida. Porquê?? Não sei, nem quero saber. Provavelmente, penso eu, era mais importante "alimentar" a indústria farmacêutica. Era bom para a economia, embora muito mau para as crianças.

Ainda bem que se está a fazer algo neste sentido, mesmo que isso venha com 40 anos de atraso!.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Não gosta? Não come!


As feiras e o artesanato são agora a minha escolha. Se é certa, não sei, mas que me trás imensas alegrias...disso não tenho dúvidas!
Gemieira é um canto lindíssimo perto de Ponte de Lima, onde a multifacetada paisagem lembra os contos de encantar.
A estrada que serpenteia as aldeias leva o visitante à descoberta de lugares frescos e aprasíveis. As Igrejas são autênticas relíquias dispersas por toda a encosta. São obras de arte e, aquele que pretenda descobrir o que mais genuíno há por estas bandas, bonda andar a pé lentamente, e falar com quem se cruza no caminho!
A feira artesanal das colheitas da Gemieira, leva milhares de pessoas ao local onde a mesma se realiza, com a ajuda do trabalho e canseira de todos os que por bondade, lealdade e verdadeira solidariedade, querem participar.
Encontrei nela (feira), uma rapariga dita do povo. Com uns olhos verdes mar, lembrando os celtas, uma fisionomia de pupila do senhor reitor e um busto farto e ofegante, via-se que queria agradar a todos e a todos ajudar.
Servia à mesa, os artesãos que, esfomeados, procuravam a refeição mais barata. O repasto era "massa à lavrador", mas na verdade a única coisa que se via no prato era só a massa. Feijões poucos e carne nem vê-la. Estava deliciosa de paladar, mas não chegava!!
Um dos presentes ao vê-la chamou-a e enquanto a rapariga quase lhe tapa os olhos com o busto farto, ele murmurou que a massa não tinha carne. A rapariga olha para o prato e vê um naco de carne. Questiona o reclamante:
-Atom o que é isto?
- Ah! Mas é de vaca e eu não gosto!!
- Não gosta, não come!
Os restantes elementos da mesa desatam numa risota sem tamanho, como quem diz: -Ora leva, que estavas a pedi-las!